A Verdade

A avidez do homem por bens e riqueza, conhecimento, fama e glória, não provém da tentativa de suprir e corrigir o próprio estado de imperfeição e, assim, restabelecer a condição de vida original? A aspiração por progresso e por uma vida mais harmoniosa, por cultura, ciência e religião não é o indício mais patente da imperfeição desta vida?

Entretanto, o ser humano não quer confessar seu desencanto. Ele não quer enxergar os míseros resultados de sua luta e de seus atos, pois prefere sonhar com o que perdeu há muito tempo: a perfeição. Ele se satisfaz com resultados insignificantes, narcotiza-se com eles e simula esse estado de perfeição.

Dessa maneira, o ser humano assume um curioso comportamento conflitante: nega a imortalidade, mas se esforça ao máximo por ignorar a morte. Ele quer viver e, entretanto, desde os primeiros dias de sua existência, tem de defender- se da própria vida. Iludindo-se, declara que o mundo é belo e tudo corre às mil maravilhas.

Entretanto, diariamente é obrigado a submeter-se à exploração e à violência, às agressões à sua liberdade, à guerra. Ele se denomina cristão, porém é, ao mesmo tempo, violento e ávido de poder; quer renunciar a si mesmo, quer amar seu semelhante; trabalha arduamente para sua família, para os outros e para sua comunidade.

Mas, no fundo e essencialmente, só enxerga a si próprio, suas realizações e sua própria glória.

Ele se imagina no apogeu do conhecimento e da cultura, comporta-se como um rei…, mas não deixa de ser um mendigo.

A Verdade apenas tornará uma pessoa livre à medida que ela mesma transformar sua consciência.

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